segunda-feira, 14 de junho de 2010

De você

De você quero apenas flores,

Não me fale de seus problemas, nem de seus amores

Não quero dores.

De você quero só o céu

Quero mel

Quero mar

E se não rimar

Ou não ornar

Tudo bem

Eu não sou perfeita também

Desde que seja minha a história

E de mais ninguém


Priska

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Sem palavras... com palavras...

Traze-me

Traze-me um pouco das sombras serenas

que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
-Vê que nem te digo - esperança!
-Vê que nem sequer sonho - amor!

(Cecília Meireles)

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Escolho meus amigos pela pupila

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.

A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.

Para isso, só sendo louco! Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.

Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.

Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois ao vê-los loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Wilde

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Esboço

Para saber de mim
Desfiz-me em mil pedaços,
Separei cada parte do meu Eu.

Desfigurando-me, pude me ver sob minhas diversas dimensões.

Não contente, me desmanchei como água sólida ao sol,
escoei por vários dedos, escorreguei pelos lençóis.

A risco de me perder, infiltrando-me pelas frestas,
percorri novas trilhas, abri alguns caminhos e fechei outros.

A risco de não me achar,
Espalhei-me para todos os lados
Saí sem limites, bruscamente, em busca de mim,
em busca de uma nova forma que caiba minha forma.

Esbarrei nos seus traços.

Aos poucos, eles foram me contornando.
Esbocei-me pelos seus limites.

Com os vestígios dos caminhos que rolei, formo meu novo Eu em você.

Priska.